A trajetória de DJ Zavaski

A trajetória de Lucas Zavaski, passou por uma grande mudança durante um momento de vulnerabilidade pessoal. Por volta de 2020, ele enfrentou a depressão e encontrou na música um grande aliado. Ao buscar uma distração para a mente, descobriu um amor inesperado pela produção do funk.

Crescendo na periferia da Zona Norte de São Paulo, o funk sempre esteve presente em sua vida, por meio de carros de som, amigos e familiares. Essa vivência desenvolveu sua escuta crítica e sua imaginação para criar e melhorar arranjos musicais. O apoio inicial surgiu dentro de casa, dos seus pais, mas principalmente do seu tio, primo e amigos próximos, além do incentivo de DJs e MCs veteranos. Entre seus maiores sucessos estão: "Garupa", "Magrão Girl Like Me", “Peça pro alto” e “Magrão sem Porcentagem”, que juntos já somam mais de 65.500 visualizações.

Zavaski também destaca o impacto cultural e social do funk na periferia. Para ele, o gênero musical funciona como uma rede de apoio, que afasta jovens da criminalidade e movimenta a economia local. Entretanto, reconhece desafios, como a falta de espaços legalizados para os bailes, os conflitos com a vizinhança e a presença do comércio ilegal de drogas

Entramos agora na conversa com o DJ Zavaski para conhecer melhor sua trajetória e sua visão sobre o impacto do funk.

Memórias, família e conquistas

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Rastreando Fatos Qual a primeira memória marcante que você tem da sua infância?

DJ Zavaski

Minha memória mais marcante que eu tinha da minha infância foi quando eu ganhei o Play 2 do meu pai. Era meu sonho de infância assim, uma das coisas mais marcantes da minha vida.

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Rastreando Fatos Quem eram as figuras mais marcantes no seu ambiente familiar e o que você aprendeu com elas?

DJ Zavaski

Ah, com certeza meus pais, né, mas além dos meus pais, acho que meu tio, meu primo, foram pessoas que me ensinaram bastante, desde sociavelmente, entendeu, desde educação e tudo, até mesmo em questão de música, sempre me apoiaram bastante. Tudo que eu, toda decisão que eu fui fazer na minha vida, eles sempre me apoiaram bastante.

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Rastreando Fatos O que você dizia que queria ser quando crescesse? Quanto disso ainda vive em você hoje em dia?

DJ Zavaski

Ah, veterinário. Sempre quis ser veterinário, sempre gostei de bicho.

Existe, pouco. Uns tempos atrás, já criei cobra. Sempre gostei de criar bichos diferentes, mas, hoje em dia, não. Hoje em dia, nada que fuja da normalidade, ou que tenha a ver com essa profissão.

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Rastreando Fatos Além do seu trabalho, o que realmente faz seu olho brilhar no dia a dia?

DJ Zavaski

Então, para fazer meu olho brilhar, eu não sou uma pessoa muito exigente em questão disso. Eu sou uma pessoa que meu olho brilha por coisas simples da vida, seja uma conquista de algum amigo meu, seja uma boa ação que eu faça para alguém. Coisa simples assim já me deixa bastante feliz no meu dia a dia, sabe? Não tenho muita exigência referente a isso.

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Rastreando Fatos Olhando para o caminho que percorreu até aqui, qual considera ser sua maior conquista pessoal? Não necessariamente profissional.

DJ Zavaski

Certo, acho que a minha maior conquista pessoal mesmo, foi eu ter vencido a depressão. Acho que foi uma das paradas que eu fico feliz até hoje, porque foi uma coisa que me deixou muito lá embaixo, no fundo do poço, sabe? Eu não tinha cabeça para fazer nada, e aí, eu tive que me reerguer. E hoje em dia eu posso considerar que vencer a depressão foi uma das maiores conquistas pessoais da minha vida.

A música e a carreira no funk

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Rastreando Fatos Como surgiu seu interesse pela música e em que momento você decidiu se tornar DJ?

DJ Zavaski

Então, já em ligação com a pergunta anterior, eu conheci a música mesmo em 2020. Foi quando eu estava nesse processo da depressão que eu usei a música para me distrair. Eu comecei a focar em produção, comecei a focar em música justamente para desviar um pouco minha cabeça e me distrair um pouquinho. Foi aí que eu comecei a aprender a produzir, me envolver ainda mais com a música.

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Rastreando Fatos Por que você escolheu o funk como estilo musical para trabalhar?

DJ Zavaski

Porque o funk, é como eu sou, né, de periferia. Eu sempre fui envolvido no funk. Quando eu não estava no funk, era carro de som passando no último volume, era amigo meu que me mostrava algum funk na escola.

Enfim, e eu sou uma pessoa que eu peguei esse amor pela música, justamente porque antes de eu pensar em ser DJ, eu escutava algumas músicas em alguns momentos, que passava na rua ou em alguma festa, eu ficava pensando tipo: "Nossa, mas e se o DJ dessa música fizesse tal coisa em vez disso? Se ele trocasse esse negócio por isso". Sempre tive essas coisas na cabeça e aí foi depois disso, foi ligando uma coisa na outra.

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Rastreando Fatos Como foi no começo da sua carreira? Você teve o apoio de alguém ou precisou aprender tudo sozinho?

DJ Zavaski

Então, acho em questão de motivação, eu tive bastante apoio da minha mãe e dos meus amigos mais próximos. Agora, falando profissionalmente, graças a Deus, na música, assim que eu comecei, teve bastante DJ que já estavam na área, bastante MC que me deu um apoio, gravou meus primeiros carinhos para pôr na música, me ajudou a fazer os primeiros beats. Eu tive bastante apoio assim, ainda bem, graças a Deus. Eu tinha muita vergonha, tipo, de divulgar minhas músicas assim, na rede social. Eu tinha vergonha de me mostrar para o público que eu era o DJ Zavaski, realmente. Se meus amigos falavam assim: "Ah, esse aí é o DJ Zavaski, ele faz umas músicas”, eu já ficava todo sem graça, até brigava com meus amigos, tipo: "Para, não fica falando não, tal." Sabe? Mas aí com o tempo a gente foi se adaptando.

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Rastreando Fatos Quais são as maiores dificuldades para um DJ que ainda está conquistando o seu espaço no funk?

DJ Zavaski

Em si, a confiança de outros artistas. Porque quando você é um DJ novo, você tá começando agora, não é todo MC que vai confiar no seu trabalho. Ah, o cara não tem um trabalho, uma música, como que eu vou te confiar? No começo foi difícil. Hoje em dia eu não tenho mais esse problema não, graças a Deus. Mas acho que a maior dificuldade de qualquer artista é a confiança do público em si, do pessoal em volta.

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Rastreando Fatos Existe algum artista com quem você ainda sonha em trabalhar?

DJ Zavaski

Assim, um Mc acho que o GW, né? MC GW, não tem como, o homem é o zero um, em questão do funk. Acho que só, não tenho muita pessoa em mente. Eu costumo, preferir produzir com pessoas que está ao meu redor mesmo, eles acreditam mais e tal. Eu não tenho esse negócio assim, mas se eu pudesse mesmo era o GW.

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Rastreando Fatos Existe algo que você ainda não fez, mas que sente que precisa realizar?

DJ Zavaski

Ah, tocar numa rave, mas naquelas rave mesmo, sabe? Igual o DJ GBR, aquelas rave de dois dias. Acho que no dia que eu conseguir tocar numa rave assim, eu estou realizado.

Funk, periferia e transformação social

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Rastreando Fatos Considerando que o funk é uma manifestação cultural frequentemente marginalizada, como você analisa o impacto deste movimento como uma alternativa viável de emancipação e desvios de caminhos de vulnerabilidade social na sua vida e na vida de outros jovens?

DJ Zavaski

Bom, isso aí já é uma resposta de uma pergunta que já está praticamente respondida pela nossa cultura. Pelo funk ser muito discriminado, o movimento se une bastante. Então quem está no meio artístico sempre estão se unindo, entendeu?

Está sempre motivando o próximo. Eu mesmo sou um cara que já ajudei bastante artista, a sair do mundo do crime, a sair da rua. E eu acho que se a comunidade em si tivesse mais união, isso aí ficaria muito mais fácil, entendeu? Agora, em questão do preconceito sempre vai existir, porque a gente está falando de um gênero musical, então tem uma pessoa ou outra que não gosta, e não adianta, não vai mudar. Infelizmente, isso acontece.

Essa situação, ela tem dois lados assim, por mais que exista essa questão, do preconceito, da exclusão social referente ao funk e a periferia, eu acredito que o funk ele abre muitas portas. Por exemplo, o baile funk sabemos que a questão é meio ruim, porque existem pessoas que moram na comunidade e não querem esse barulho pois incomoda muito, por não ser em um ambiente controlado, ser no meio de rua, das vias públicas.

Só que o funk, ele abre muita porta de emprego, seja pra quem recolhe o lixo depois no final do baile, seja para quem vende bebida no ambiente, seja pra quem vende comida no meio do baile . Querendo ou não, já é tipo um rendimento. Acho que é por isso que a cultura periférica não deixa o funk de lado, porque o funk muda muitas vidas.

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Rastreando Fatos Você acha que com o tráfico de drogas dentro do baile funk, fica um pouco mais difícil para isso ser legalizado e ser visto com bons olhos pela sociedade?

DJ Zavaski

Fica. Porque igual eu falei, pelo funk não ter um local próprio para ser executado, as festas, os bailes, acaba que tendo a influência da rua, e na rua tem muito crime, na rua tem o tráfico. Então acaba que misturando uma coisa na outra, o tráfico acaba prejudicando, sim, até mesmo para aceitação do funk. Acho que interfere bastante.

Para além da música

E assim encerramos nossa conversa com Lucas Zavaski, que destaca a resiliência e a importância social do funk. Agradecemos imensamente ao Dj Zavaski por compartilhar sua trajetória e reflexões sobre um movimento que transforma tantas vidas nas periferias.

Créditos desta publicação

Produção e entrevista
Jornal Rastreando Fatos
Entrevistado
DJ Lucas Zavaski
Fotografias
Acervo pessoal de Lucas Zavaski (2026)
Espaço de publicação
Além da Manchete